segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Diferentes Tradições Tantricas




Diferentes tradições Tântricas contemporâneas

O Tantra apresenta clara influência principalmente em três grandes tradições religiosas: a Hindu, a Budista e a Jainista. Portanto há Tantras Hindus, Budistas e Jainistas que compartilham certos conceitos que são básicos e formam o alicerce desta perspectiva religiosa. Quais seriam estes conceitos ? Se tivéssemos que definir de forma mínima a tradição Tântrica nos arriscaríamos à dizer que a identificação do adorador com a Divindade adorada seria o ponto essencial. Esta identificação é comum à todas as tradições religiosas que originam-se do Tantra. Há um ditado comum que afirma que: “O “não-Deva” não pode adorar um Deva, ou seja, aquele que não é Śhiva não poderia adorar à Śhiva da mesma forma que o “não-Gaṇeśha” não poderia adorar Gaṇeśha”.

 

Além desta identificação do adorador com a Divindade há inúmeros detalhes no Modus Operandi, ou seja, na prática litúrgica que são comuns às tradições Tântricas. A transmissão sempre muito criteriosa de Mantras que nunca é feita em grupos como se fosse num armazém atacadista mas sim um Mantra à cada ocasião, o caráter esotérico/iniciático dos ensinamentos, o uso constante de técnicas de meditação/visualização durante os rituais e a realização periódica de “cerimônias de fogo"  são alguns dos elementos facilmente observáveis.

 

As tradições Tântricas mais conhecidas são:

a. O Śhrī Vidyā, o PañchaRātra, o Vaikhānasa e o Kaula entre os Hindus.

b. O Vajrāyaṇa com suas escolas Sakya, Nyingma, Kagyu e Gelugpa entre os Budistas Tibetanos.

c. O Mikkyo presente nos Budismos Tendai e Shingon do Japão.

d. O Jaina Tantra centrado no culto à Shaktī Padmavatī.

 

O Śhrī Vidyā é a tradição Tântrica mais divulgada entre os Hindus. Esta tradição costuma dividir-se em Śhrī Kula e Kālī Kula. Ali todo o processo iniciático começa com a propiciação das formas pacificas da Divindade (Śhrī Kula) e, ao fim deste processo que dura alguns anos, algumas linhagens passam então a propiciação das formas iradas (Kālī Kula). No Śhrī Vidyā os ritos Kaulikas, ou seja, revelados nos Kaula Tantras foram adotados somente nos graus mais elevados de iniciação.

 

O PañchaRātra e o Vaikhānasa são tradições Tântricas Vaiṣhṇavas. Eles possuem muitos pontos em comum com outras tradições Tântricas Hindus como a prática de Nyāsas,  meditações/visualizações durante os ritos e cerimônias de fogo. Porém seu foco está na adoração Tântrica às Deidades nos Templos.

 

Quando fala-se em “Tantra” no ocidente geralmente se refere ao Kaula Tantra tendo em vista que suas escrituras foram as mais divulgadas no subcontinente Indiano. Muitos textos Tântricos se apresentam literalmente como “Kaula Tantras. Sua iconografia religiosa influencia fortemente o Vajrāyaṇa e o Śhrī Vidyā.

 

O Vajrāyaṇa possui uma perspectiva Budista embora sua liturgia seja claramente Tântrica. Muitas de suas disciplinas espirituais (Sādhanas) são transmitidas mediante iniciação e há um uso frequente de visualizações e gestos rituais (Mudrās). Sua iconografia religiosa menciona o uso de taças de crânio, Divindades iradas e muitos outros elementos do antigo Śhivaismo (KālaMukha, Kapālika etc..) praticado nos campos crematórios.

 

O Shingon e Tendai preservaram no Japão muitos elementos Tântricos como a adoração as Cinco Grandes Deidades (Pañchāyatana) que, entre eles, são os Cinco Grandes Reis (Go Dai Myoo) e a prática de cerimônias de fogo (Homa em Sânscrito, Goma no Japão). Muitas Mudrās também são usadas aqui e há uma atenção especial as purificações do corpo, do local dos ritos e das oferendas de forma semelhante ao que é feito nas outras tradições Tântricas. 

 

O Jaina Tantra praticado principalmente na Índia tem um foco em Śhaktī, a Mãe Divina, e executa muitas disciplinas espirituais ligadas as Matṛkās que também simbolizam frequências e pontos de articulação relacionadas ao alfabeto Sânscrito. Possui muitas semelhanças com o estágio de Dakṣhiṇāchara que é mencionado nos Kaula Tantras.

 

Há outras tradições antigas que muito influenciaram o desenvolvimento e a divulgação de conceitos Tântricos. Algumas delas são mencionadas até em fontes não-Tântricas e chegam a possuir textos preservados porém “sem Guru não há Tantra”. Um livro, embora preservado, não pode transmitir Mantras, seu uso será sempre limitado a apreciação puramente intelectual. É possível ter uma ideia do que é Tantra à distância ou até mesmo “estudá-lo” entretanto seus frutos só são alcançados através da transmissão direta da energia cultivada na tradição – ŚhaktiPat.

 

Um exemplo de tradições antigas que é mencionado pelo sábio e erudito Tântrico AbhinavaGupta é a escola Trika. Entretanto ela é considerada extinta pois a séculos nenhum Guru vindo através de uma sucessão discipular legitima (Parampara) transmite seus Mantras. Muito embora seus ensinamentos e textos tenham atraído recente interesse acadêmico no ocidente. Conceitos desta escola como o da Deusa Tríplice – “Parā, Aparā e Parāparā”, foram assimilados por escolas contemporâneas e uma clara semelhança pode ser observada nos atributos e funções destas três Deusas e aquelas mencionadas no Chaṇḍī Pāṭha – MahāKālī, MahāLakṣhmī e MahāSarasvatī. Uma leitura dos hinos com seus “segredos” (três textos Rahasyams) será bastante produtiva para se aprofundar neste aspecto.  

 

Na gravura: um Maṇḍala para Sādhana do Mantra Bīja “Hrīṃ” usado no Jaina Tantra.

Senhor Ayyappa





Senhor Ayyappa


           O Senhor Ayyappa possui milhões de devotos em todo o mundo e seus Templos atraem multidões em peregrinação anualmente. Somente o Templo de Sabarimala no estado de Kerala - India atrai mais de 17 milhões de peregrinos por ano e, em alguns anos, esse numero se aproxima dos 30 milhões de visitantes.

           O Senhor Ayyappa é uma encarnação muito misericordiosa da Divindade e se manifestou através de diferentes formas para o beneficio da humanidade. Cada uma destas formas possui atributos diferentes para materializar especificamente o que é necessário para a diversidade de devotos. Ele se manifestou como menino (Shishu), como estudante celibatário (Brahmachari), como pai de família (Grhasta), como renunciante maduro (VanaPrastha), como Yogi etc ......

           Cada uma dessas formas possui injunções especificas (Vidhis) para a sua adoração e a obtenção de sucesso (Siddhi) em suas discipinas espirituais (Sadhanas). Isso é comum na adoração de outras formas da Divindade também como, por exemplo, o vegetarianismo para a adoração do Senhor Vishnu ou ausência de Tulasi na Puja para o Senhor Ganesha. Outras religiões do mundo possuem regras especificas para determinados praticas. No Shintoismo do Japão o santuário da ilha de Okinoshima (patrimônio mundial, segundo a UNESCO) é reservado apenas aos homens que ali realizavam ritos e oferendas aos Deuses do mares. No Candomblé do Brasil os devotos em adoração à Oxalá evitam o uso de roupas de cor, especialmente as vermelhas ou negras, pois somente a cor branca agrada à esta forma da Divindade. Entre os muçulmanos as mulheres são proibidas de rezar entre os homens em várias mesquitas. Inúmeros outros exemplos podem ser encontrados em outras tradições.

           O maior Templo do Senhor Ayyappa no mundo fica no complexo de Templos de Sabarimala. Lá o Senhor se manifestou como um eterno estudante celibatário (Naishtika Brahmachari). Por esse motivo o Templo não permite a entrada de mulheres em idade fértil, ou seja, dos 10 aos 50 anos. Mulheres abaixo ou acima destas idades tem acesso irrestrito. Outros Templos de Ayyappa onde outras de suas manifestações estão presentes permitem a entrada à todos pois as injunções sob as quais foram construídos não mencionam restrições.

           O Templo de Sabarimala é particularmente interessante pois em seu complexo ele abriga mesquitas e igrejas cristãs. É muito comum que muçulmanos visitem o santuário Hindu após a ida à mesquita de Vavar e que cristãos o façam após a visita as igrejas de Santo André e São Sebastião. O complexo de Templos é um rico exemplo de harmonia inter-religiosa e tolerância mutua.

           A narrativa das origens do Templo de Sabarimala revela que um rei da dinastia dos Pantalam que governava a região não conseguia ter filhos para herdar o trono e que, numa de suas caçadas pela floresta, encontrou um bebe à beira do rio. O rei levou este bebe até a cabana de um homem santo (Sadhu) que vivia próximo e este revelou que o rei deveria criá-lo como se fosse seu próprio filho pois ele herdaria o trono. Conforme a profecia do sábio, assim foi feito, e o garoto recebeu o nome de ManiKantha. Entretanto após alguns anos a rainha engravidou e quis tirar ManiKantha do caminho da coroação de seu próprio filho. Ela fingiu adoecer e alegou que só seria curada se bebesse o leite de uma tigresa. Ninguém no reino se ofereceu para a perigosa missão e, compadecido da doença de sua mãe adotiva, ManiKantha se voluntariou. Ele não apenas trouxe o leite mas voltou da floresta montado sobre a tigresa !

           Durante a busca ele foi atacado por um ladrão chamado Vavar que era muçulmano e tentou matá-lo. Eles lutaram e durante a luta o Senhor revelou sua verdadeira forma divina. O ladrão, então, arrependeu-se de seu passado e passou a viver uma vida honesta tornando-se seu fiel protetor. Essa é a origem da mesquita na região que foi construída em homenagem ao retorno à retidão vivido por Vavar.

         


domingo, 9 de setembro de 2018

A Eficácia dos Yajñas

A eficácia dos Yajñas

Como a Puja e outros ritos (Yajñas) produzem resultados no plano físico ?


             Uma breve observação do cotidiano de um Tântrico revela que sua rotina diária assim como todo o ciclo mensal e anual de sua vida gira em torno de uma espécie de calendário litúrgico que associa momentos cósmicos, astrológicos e sazonais à vida do iniciado e faz dele um agente consciente e atuante no drama cósmico da existência humana.

             Para serem verdadeiros e eficazes os ritos praticados devem estar em sintonia com forças naturais que formam o alicerce da realidade que vivemos. Não fosse isso o rito seria apenas uma pantomima, uma espécie de teatro onde o ator apenas simularia uma realidade a qual é incapaz de transformar. Entretanto não é isto que acontece. As bases e a lógica dos rituais Tântricos estão presentes em vários outros Dharmas através da história e demonstram como religiosidade e magia tem se entrelaçado e se perpetuado através das Eras.     

             No ritual Tântrico o iniciado entra em estado de união com a Divindade e, à partir deste momento, interfere no mundo real através de mecanismos simbólicos que movimentam poderosas forças espirituais. É através dos Nyasas (toques sacralizantes), dos Dhyanams (visualizações) e de vários Kriyas (atos litúrgicos) que o iniciado identifica-se com a Força Motriz do Universo (Shakti) e convoca a sua intervenção.

             Este preparo técnico do iniciado não é exclusividade dos Tantras e, por ser baseado em forças reais e atuantes, está presente em várias outras culturas e Dharmas. No Vajrayana (Budismo Tibetano) as técnicas de identificar-se e assumir a forma da Divindade adorada (Yidam) é chamado de Utpatti Krama, ou seja, o “procedimento de geração ou ascenção”. No Dharma cristão o sacerdote identifica-se com o Ishta Devata daquela tradição, Yeheshua Chrestos, e realiza os ritos em nome do Cristo, baseado na “união hipostática”* entre o deus encarnado e a Divindade suprema e sem nome. Na antiga religiosidade Egípcia era o Faraó que exercia a função de sumo sacerdote identificado com os Deuses na sua condição de filho encarnado do Deus Sol (Rá) e, então, devolvia Maat (a harmonia cósmica, “Rtam” em Sanscrito) ao Deus regente do Templo onde oficiava o rito. Inúmeros outros exemplos deste mecanismo de atuação podem ser observados desde o Candomblé Brasileiro à algumas formas de Budismo Tântrico preservadas até hoje.

             O rito é funcional, independente das condições momentâneas do oficiante ou de quaisquer outras variáveis desde que a consagração ou iniciação (Diksha) que preparou o sacerdote tenha sido eficaz e o treinamento necessário (Purashcharana) tenha sido completado com sucesso. A dinâmica do rito segue o principio de “Ex Opere Operato”*, ou seja, ele é eficaz por ser realizado pela Divindade atuante e não depende do ministro humano que o executa. O resultado não é subjetivo ou dependente da fé daquele que o busca. O Tantra assim como o Yoga Darshana de Patañjali não prioriza a crença pessoal num suposto resultado mas propõe técnicas a serem executadas (Vidhis) e convida o operador que verifique por si mesmo os resultados alcançados.

             Quando comparamos o preparo e o cuidado exigido na formação de um sacerdote ou iniciado de tradições alicerçadas em Dharma com o imediatismo e improvisação dos sacerdotes dos cultos televisivos conhecidos como “pastores” é natural o sentimento de desprezo diante do ridículo daquelas figuras que dizem adorar a deus com gritinhos histéricos e tem a soberba de tentar comandar a própria Divindade a atender seus caprichos. A adoração insípida, ou seja, de mãos vazias, limitada pela avareza e sentimento de inferioridade do adorador, é diametralmente oposta a adoração de um iniciado consagrado que, pleno de gratidão, retorna à Divindade aquilo que na verdade sempre lhe pertenceu. 


domingo, 2 de setembro de 2018

Datas Auspiciosas de Setembro de 2018

Aspectos Gerais:

 

Durante o periodo Védico os Adityas são a personificação dos conceitos morais e éticos, nascidos da Grande Deusa Aditi. Eles são 12 ao todo, sempre em pares, um rege a inter-relação entre os homens e o outro rege a relação entre os homens e as formas da Divindade. Eles nos sugerem as virtudes que deveríamos cultivar no período. Num periodo tardio estes adityas passaram à ser identificados como formas do Deus Sol, Surya Deva.

Os Adityas responsáveis por esta estação,
Shishira (“Frio”), são:
Bhaga  – Representa a herança recebida de nossos ancestrais ou a parte da partilha que nos cabe diante do grupo ao qual pertencemos. Estas reservas adquiridas fomentam a nossa possibilidade de ação no plano físico.

Amsha – Representa os méritos espirituais (Punya) recebidos através da Deidades. Estes méritos incluem os méritos Karmicos trazidos de encarnações anteriores e configurados no momento de nosso nascimento atual eos méritos gerados nesta vida através de ações auspiciosas e disciplinas espirituais (Sadhanas).

Sob esta regência o momento é propicio para avaliar nossos recursos e capacidades físicas (humanas e financeiras) e mentais e, então, planejar o momento propicio de ação no futuro.
Neste mês de Setembro temos dois eventos muito relevantes: o Festival do Senhor Ganesha, o Ganesha Chaturthi, que será realizado no dia 12 e o inicio da quinzena de gratidão aos ancestrais que inicia-se no dia 25. Boas Sadhanas à todos !


Para o seu bem-estar e prosperidade: 

विष्णुः शिवोगणेशोर्कोदुर्गा पञ्चैवदेवताः 
आराध्याः सिद्धिकामेन तत्तन्मन्त्रैर्यथो दितम्  १०२ 
viṣṇuḥ śivogaṇeśorkodurgā pañcaivadevatāḥ   |
ārādhyāḥ siddhikāmena tattanmantrairyatho ditam   || 102   ||

“ O Senhor Vishnu, Shiva, Ganesha, Surya Deva e a Deusa são as cinco Deidades que, quando propiciadas através dos Mantras, garantem a realização de todos os desejos. “
Mantra MahoDadhi, capitulo I, verso 102

Existem dias que são especiais para a realização de disciplinas espirituais pois neles acontecem momentos astrológicos específicos que aumentam os méritos (Punya) adquiridos pelas ações executadas. As ações de gratidão (Puja, Homa e outras) podem ser feitas nestes dias para obter um resultado ainda mais favorável.

Os devotos que desejam progredir em suas atividades profissionais, familiares e pessoais devem agradecer através da meditação e das ofertas de gratidão (Dravyas). Para aqueles que não possuem interesses com as coisas do mundo, ex. celibatários e monges, o agradecimento pode ser feito apenas recitando os Mantras mentalmente.

Há cinco dias muito auspiciosos para a celebração do dom da vida (Yajña). Seguem abaixo as datas de Yajña, o ideal de perfeição à ser atingido (Devata) em cada uma dessas datas, as palavras de poder (Mantra) e a oferta de gratidão (Dravya). .  

Chaturthi, dia 12 – Dia de remover os obstáculos que para garantir o sucesso em todos os empreendimentos. Mantra:
गणेशाय नमः  “Om Gaṇeśāya Namaḥ  recitado 108 vezes. Dravya geral (que será Prasada e pode ser consumido ao final): Tenha uma bandeja de frutas frescas no local da recitação.
Dravya especifico: doces, sucos, frutas, flores vermelhas.

Saptami, dia 15 – Dia de agradecer pela boa saúde, boa reputação e harmonia. Mantra:
सूर्यदेवाय नमः  “Om Sūryadevāya Namaḥ”  recitado 108 vezes.
Dravya geral (que será Prasada e pode ser consumido ao final): Tenha uma bandeja de frutas frescas no local da recitação. 
Dravya especifico: grãos de arroz, agua fresca, flores vermelhas.

Ashtami, dia 16  – Dia de se fortalecer pra obter alegrias na vida e a Liberação Espiritual (Moksha). Mantra:
काल्यै नमः  “Om Kālyai Namaḥ” recitado 108 vezes.
Dravya geral (que será Prasada e pode ser consumido ao final): Tenha uma bandeja de frutas frescas no local da recitação. 
Dravya especifico: lamparina de cânfora, agua perfumada com cânfora, flores vermelhas (Hibisco).

Ekadashi, após as 14hs do dia 19 até as 16:30hs do dia 20  – Dia de lembrar os mais altos ideais: o Yajña e as austeridades espirituais. Mantra:
विष्णवे नमः  “Om Viṣṇave Namaḥ” recitado 108 vezes.
Dravya geral (que será Prasada e pode ser consumido ao final): Tenha uma bandeja de frutas frescas no local da recitação.
Dravya especifico: folhas de Tulasi (um tipo de manjericão), leite, flores amarelas.

Chaturdashi, dia 23 – Dia de meditar como um benéfico observador de todas as ações. Mantra:
नमः शिवाय  “Om Namaḥ Śivāya” recitado 108 vezes.
Dravya geral (que será Prasada e pode ser consumido ao final): Tenha uma bandeja de frutas frescas no local da recitação.
Dravya especifico: leite, iogurte natural, folhas de Bilva (Aegle Marmelos), flores brancas.


.गणेशम् पूजयेतस्तु विग्नस्-तस्य बाधने

gaṇeśam pūjayetastu vignas-tasya bādhane  ||


आरोग्यार्थार्चयेत् सूर्यम् धर्म मोक्शाय माधवम् 
शिवम् धर्मार्द्ध मोक्शाय चथुर्-वर्गाय चन्दिकामिति  
ārogyārthārcayet sūryam dharma mokśāya mādhavam   |
śivam dharmārddha mokśāya cathur-vargāya candikāmiti    ||

“ Aquele que adora Ganesha tem seus obstáculos superados. Para a saúde e obter os meios de sustento(Artha) deve-se adorar Surya Deva.  Vishnu garante a realização do Dharma e obtenção da Liberação Final (Moksha). Shiva garante o Dharma, a abundancia e a Liberação Final. A Deusa garante os quatro objetivos da vida humana: Dharma, Artha, Kama e Moksha. “
Padma Purana.
 
 
Assista ao video com a pronuncia dos Mantras ensinados aqui ! 


Para a sua Saúde:


Os três biotipos reconhecidos pelo Ayurveda são Kapha, Pitta e Vata e cada pessoa apresenta uma particular distribuição destes três. Á cada período do ano, de acordo com as mudanças de temperatura, umidade, exposição a luz solar etc ... estes Doshas podem acumular-se, agravar-se ou aliviar-se. Para manter o equilíbrio são recomendados alimentos apropriados e práticas espirituais especificas. Neste mês os Doshas da Medicina Ayurvédica sofrem a seguinte influencia:

Vata: agrava-se e é necessária uma atenção especial à alimentação e aos cuidados com o corpo. Alimentos moderadamente doces, ácidos ou salgados podem ser consumidos regularmente evitando-se longos períodos de jejum. Manter o corpo devidamente aquecido e confortável ajuda a evitar o acumulo de stress para as estações seguintes. 

Pitta: estabiliza-se e  não exige maiores cuidados nesta estação.

Kapha: estabiliza-se e  não exige maiores cuidados nesta estação.

Para identificar seu biótipo procure um terapeuta Ayurvédico de sua confiança.


Para as Sadhanas e práticas inicáticas:


Para os Sadhakas iniciados as escrituras Tantricas dão uma lista de ocasiões auspiciosas para suas disciplinas espirituais. Essas ocasiões são chamados de “dias Parva”, ou seja, dias de festival e merecem uma atenção especial devido as energias que apresentam.

कृष्णाष्टमीचतुर्द्दश्यावमावास्याथ पूर्णीमा।
संक्रान्तिः पञ्च पर्वाणि तेषु पुण्यदिनेषु च॥ ८॥
kṛṣṇāṣṭamīcaturddaśyāvamāvāsyātha pūrṇīmā |
saṁkrāntiḥ pañca parvāṇi teṣu puṇyadineṣu ca || 8 ||

“ O oitavo, o décimo-quarto e o Amavasya da quinzena escura, a lua cheia, e o dia de transição do Sol entre os signos são as cinco ocasiões auspiciosas para adoração. "
Kularnava Tantra, capítulo X verso VIII.

Em Setembro de 2018, conforme a Astrologia Védica, estes dias auspiciosos serão:

dia 02 – Ashtami (oitavo dia da quinzena escura);
dia 07 – Chaturdashi (décimo-quarto dia da quinzena escura);
dia 08 – Amavasya (“Lua Negra”, a noite mais escura do mês lunar);
dia 17 – Samkranti (Sol entra no signo de Leo / Simha)
dia 24 - Purnima (Lua cheia);

Para o Sankalpa, a identificação do local e momento de cada ação:



Mês Védico
O mês Védico é usado para estabelecer a data correta de ritos e práticas espirituais. Ele se inicia logo após a Lua Nova e termina na Lua Nova seguinte. Ele é dividido em duas quinzenas: a quinzena clara (Shukla Paksha) que vai da Lua Nova até a Lua Cheia e a quinzena escura (Krishna Paksha) que vai da Lua cheia até a Lua Nova seguinte.

Mêses Védicos: Shravana - do dia 01 até o dia 09. Bhadrapada – à partir do dia 10 até o fim do mês.

Ano Védico
O ano Védico (Samvatsara) tem sido contato por dois eventos principais: ou o momento no qual o Senhor Krishna deixou seu corpo em 18 de Fevereiro de 3102 a.c.(data correspondente no calendário ocidental contemporaneo), ou seja, o inicio da Era de Ferro (Kali Yuga) ou a vitória na guerra contra os inimigos do Dharma durante o reinado do rei Vikram Aditya que viveu de 102 a.c. até 15 d.c.

Ano 5119 do Kali Yuga.

Ano 2074 de Vikram Mitra.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Datas Auspiciosas de Agosto de 2018




Aspectos Gerais:

 

Durante o periodo Védico os Adityas são a personificação dos conceitos morais e éticos, nascidos da Grande Deusa Aditi. Eles são 12 ao todo, sempre em pares, um rege a inter-relação entre os homens e o outro rege a relação entre os homens e as formas da Divindade. Eles nos sugerem as virtudes que deveríamos cultivar no período. Num periodo tardio estes adityas passaram à ser identificados como formas do Deus Sol, Surya Deva.

Os Adityas responsáveis por esta estação, Shishira (“Frio”), são:
Bhaga  – Representa a herança recebida de nossos ancestrais ou a parte da partilha que nos cabe diante do grupo ao qual pertencemos. Estas reservas adquiridas fomentam a nossa possibilidade de ação no plano físico. 

Amsha – Representa os méritos espirituais (Punya) recebidos através da Deidades. Estes méritos incluem os méritos Karmicos trazidos de encarnações anteriores e configurados no momento de nosso nascimento atual eos méritos gerados nesta vida através de ações auspiciosas e disciplinas espirituais (Sadhanas). 

Sob esta regência o momento é propicio para avaliar nossos recursos e capacidades físicas (humanas e financeiras) e mentais e, então, planejar o momento propicio de ação no futuro.

Duvidas ? entre em contato com o Rudra - rudrananda@kaulatantra.org



Para o seu bem-estar e prosperidade:



विष्णुः शिवोगणेशोर्कोदुर्गा पञ्चैवदेवताः 
आराध्याः सिद्धिकामेन तत्तन्मन्त्रैर्यथो दितम्  १०२ 
viṣṇuḥ śivogaṇeśorkodurgā pañcaivadevatāḥ   |
ārādhyāḥ siddhikāmena tattanmantrairyatho ditam   || 102   ||

“ O Senhor Vishnu, Shiva, Ganesha, Surya Deva e a Deusa são as cinco Deidades que, quando propiciadas através dos Mantras, garantem a realização de todos os desejos. “
Mantra MahoDadhi, capitulo I, verso 102

Existem dias que são especiais para a realização de disciplinas espirituais pois neles acontecem momentos astrológicos específicos que aumentam os méritos (Punya) adquiridos pelas ações executadas. As ações de gratidão (Puja, Homa e outras) podem ser feitas nestes dias para obter um resultado ainda mais favorável.

Os devotos que desejam progredir em suas atividades profissionais, familiares e pessoais devem agradecer através da meditação e das ofertas de gratidão (Dravyas). Para aqueles que não possuem interesses com as coisas do mundo, ex. celibatários e monges, o agradecimento pode ser feito apenas recitando os Mantras mentalmente.

Há cinco dias muito auspiciosos para a celebração do dom da vida (Yajña). Seguem abaixo as datas de Yajña, o ideal de perfeição à ser atingido (Devata) em cada uma dessas datas, as palavras de poder (Mantra) e a oferta de gratidão (Dravya). .  

Chaturthi, dia 14 – Dia de remover os obstáculos que para garantir o sucesso em todos os empreendimentos. Mantra: गणेशाय नमः  “Om Gaṇeśāya Namaḥ  recitado 108 vezes. Dravya geral (que será Prasada e pode ser consumido ao final): Tenha uma bandeja de frutas frescas no local da recitação.
Dravya especifico: doces, sucos, frutas, flores vermelhas.

Saptami, dia 17 – Dia de agradecer pela boa saúde, boa reputação e harmonia. Mantra: सूर्यदेवाय नमः  “Om Sūryadevāya Namaḥ”  recitado 108 vezes.
Dravya geral (que será Prasada e pode ser consumido ao final): Tenha uma bandeja de frutas frescas no local da recitação.  
Dravya especifico: grãos de arroz, agua fresca, flores vermelhas.

Ashtami, tarde do dia 18  – Dia de se fortalecer pra obter alegrias na vida e a Liberação Espiritual (Moksha). Mantra: काल्यै नमः  “Om Kālyai Namaḥ” recitado 108 vezes.
Dravya geral (que será Prasada e pode ser consumido ao final): Tenha uma bandeja de frutas frescas no local da recitação.  
Dravya especifico: lamparina de cânfora, agua perfumada com cânfora, flores vermelhas (Hibisco).

Ekadashi, dia 21  – Dia de lembrar os mais altos ideais: o Yajña e as austeridades espirituais. Mantra: विष्णवे नमः  “Om Viṣṇave Namaḥ” recitado 108 vezes.
Dravya geral (que será Prasada e pode ser consumido ao final): Tenha uma bandeja de frutas frescas no local da recitação.
Dravya especifico: folhas de Tulasi (um tipo de manjericão), leite, flores amarelas.

Chaturdashi, dia 24 – Dia de meditar como um benéfico observador de todas as ações. Mantra: नमः शिवाय  “Om Namaḥ Śivāya” recitado 108 vezes.
Dravya geral (que será Prasada e pode ser consumido ao final): Tenha uma bandeja de frutas frescas no local da recitação.
Dravya especifico: leite, iogurte natural, folhas de Bilva (Aegle Marmelos), flores brancas


.गणेशम् पूजयेतस्तु विग्नस्-तस्य बाधने
gaṇeśam pūjayetastu vignas-tasya bādhane  ||

आरोग्यार्थार्चयेत् सूर्यम् धर्म मोक्शाय माधवम् 
शिवम् धर्मार्द्ध मोक्शाय चथुर्-वर्गाय चन्दिकामिति  
ārogyārthārcayet sūryam dharma mokśāya mādhavam   |
śivam dharmārddha mokśāya cathur-vargāya candikāmiti    ||

“ Aquele que adora Ganesha tem seus obstáculos superados. Para a saúde e obter os meios de sustento(Artha) deve-se adorar Surya Deva.  Vishnu garante a realização do Dharma e obtenção da Liberação Final (Moksha). Shiva garante o Dharma, a abundancia e a Liberação Final. A Deusa garante os quatro objetivos da vida humana: Dharma, Artha, Kama e Moksha. “
Padma Purana.


 
Assista ao video com a pronuncia dos Mantras ensinados aqui ! 


Para a sua Saúde:


Os três biotipos reconhecidos pelo Ayurveda são Kapha, Pitta e Vata e cada pessoa apresenta uma particular distribuição destes três. Á cada período do ano, de acordo com as mudanças de temperatura, umidade, exposição a luz solar etc ... estes Doshas podem acumular-se, agravar-se ou aliviar-se. Para manter o equilíbrio são recomendados alimentos apropriados e práticas espirituais especificas. Neste mês os Doshas da Medicina Ayurvédica sofrem a seguinte influencia:

Vata: agrava-se e é necessária uma atenção especial à alimentação e aos cuidados com o corpo. Alimentos moderadamente doces, ácidos ou salgados podem ser consumidos regularmente evitando-se longos períodos de jejum. Manter o corpo devidamente aquecido e confortável ajuda a evitar o acumulo de stress para as estações seguintes.  

Pitta: estabiliza-se e  não exige maiores cuidados nesta estação.

Kapha: estabiliza-se e  não exige maiores cuidados nesta estação.

Para identificar seu biótipo procure um terapeuta Ayurvédico de sua confiança.



Para as Sadhanas e práticas inicáticas:


Para os Sadhakas iniciados as escrituras Tantricas dão uma lista de ocasiões auspiciosas para suas disciplinas espirituais. Essas ocasiões são chamados de “dias Parva”, ou seja, dias de festival e merecem uma atenção especial devido as energias que apresentam.

कृष्णाष्टमीचतुर्द्दश्यावमावास्याथ पूर्णीमा।
संक्रान्तिः पञ्च पर्वाणि तेषु पुण्यदिनेषु च॥ ८॥
kṛṣṇāṣṭamīcaturddaśyāvamāvāsyātha pūrṇīmā |
saṁkrāntiḥ pañca parvāṇi teṣu puṇyadineṣu ca || 8 ||

“ O oitavo, o décimo-quarto e o Amavasya da quinzena escura, a lua cheia, e o dia de transição do Sol entre os signos são as cinco ocasiões auspiciosas para adoração. "
Kularnava Tantra, capítulo X verso VIII.

Em Agosto de 2018, conforme a Astrologia Védica, estes dias auspiciosos serão:

dia 04 – Ashtami (oitavo dia da quinzena escura);
dia 09 – Chaturdashi (décimo-quarto dia da quinzena escura);
dia 10 – Amavasya (“Lua Negra”, a noite mais escura do mês lunar);
dia 17 – Samkranti (Sol entra no signo de Leo / Simha)
dia 25 - Purnima (Lua cheia);


Para o Sankalpa, a identificação do local e momento de cada ação:



Mês Védico
O mês Védico é usado para estabelecer a data correta de ritos e práticas espirituais. Ele se inicia logo após a Lua Nova e termina na Lua Nova seguinte. Ele é dividido em duas quinzenas: a quinzena clara (Shukla Paksha) que vai da Lua Nova até a Lua Cheia e a quinzena escura (Krishna Paksha) que vai da Lua cheia até a Lua Nova seguinte.

Mêses Védicos: Ashadha - do dia 01 até o dia 10. Shravana – à partir do dia 11 até o fim do mês.

Ano Védico
O ano Védico (Samvatsara) tem sido contato por dois eventos principais: ou o momento no qual o Senhor Krishna deixou seu corpo em 18 de Fevereiro de 3102 a.c.(data correspondente no calendário ocidental contemporaneo), ou seja, o inicio da Era de Ferro (Kali Yuga) ou a vitória na guerra contra os inimigos do Dharma durante o reinado do rei Vikram Aditya que viveu de 102 a.c. até 15 d.c.

Ano 5119 do Kali Yuga.
Ano 2074 de Vikram Mitra.