domingo, 1 de agosto de 2021

Śhakti Vipat

Namaste,

 

Por favor observem um ponto que o Sādhaka avançado deve sempre atentar: sob a perspectiva da ciência ritualística a oferenda especial (Viśheṣha) é algo superior ou além da oferenda comum (Sāmānya) porém ela não deve ser apresentada por si só - sāmānyāt evam viśeṣaḥ, ou seja, algo só pode ser considerado “especial” diante de algo considerado “comum”.

 

Na ausência do “comum” aquilo que seria “especial” torna-se, ele próprio, comum. O “algo comum” (Sāmānya) é o alicerce (Aṅga) que sustenta aquilo que é especial.

 

O hábito de ignorar este aspecto e reduzir o especial à algo comum leva à “quebra” de Śhakti (Śhakti Vipat) devido à inversão estrutural e pode tornar-se a causa da queda de muitos adeptos deslumbrados por constantes “novidades”.

 

A separação das disciplinas espirituais e Pūjās em Nitya Karma (ação cotidiana) e Naimittika Karma (ações ocasionais) está baseada no conceito de Sāmānya/Viśheṣha e visa evitar Śhakti Vipat, ou seja, a quebra de Śhakti. Cada festival ocasional (Utsava) tem suas próprias peculiaridades e seu próprio momento.

 

A Sādhana cotidiana (Nitya Karma) deve ser mantida o mais simples possível. O "algo à mais" pode ser acrescentado quando oportuno mas não deve tornar-se rotina se não houver absoluta certeza da capacidade em mantê-lo.

 

Essa dinâmica de Śhakti, ou seja, essa variação de freqüências energéticas, é um dos motivos pelos quais o Guru deve ser sempre consultado diante de duvidas quanto à procedimentos ou práticas especificas.

domingo, 28 de março de 2021

O festival do Holi


 

O que festeja-se no Holi ?

 

Em certa época os céus eram atormentados por um Asura chamado Tarakasura (aquele que se manifesta entre as estrelas). O Senhor Indra, responsável pela segurança e bem estar dos Devas, informou-se sobre os poderes deste Asura e soube que ele só poderia ser destruído por alguém que fosse filho de Shiva e Shakti. Entretanto, na ocasião, este filho ainda não existia.

 

Indra então orientou KamaDeva, o Senhor que rege todas as paixões, à instalar um amor avassalador nos corações de Shiva e Shakti. O dia escolhido para faze-lo foi o Vasanta Panchami, o auspicioso quinto dia lunar que marca o inicio dos ritos e preparativos para a chegada da Primavera. KamaDeva foi primeiro à Shakti e, com suas flechas, a tornou ainda mais linda e encantadora aos olhos de Shiva. Isso feito foi ao encontro de Shiva e o encontrou em profunda meditação. Mesmo temeroso diante da imprudência de interromper a Sadhana de MahaDeva, o Senhor Kama atirou suas flechas.

 

Ao ser atingido Shiva abriu seus olhos e contemplou a beleza de Shakti mas logo percebeu que a interrupção de sua Sadhana era artifício de KamaDeva. Irado Shiva emanou Kala Agni, o terrível fogo da destruição final, sobre Kama e o reduziu imediatamente à pó.

 

Diante da perda de KamaDeva a Deusa Rati, sua esposa, ficou inconsolável e retirou-se para realizar austeridades espirituais (Tapasya) e trazê-lo de volta. Após 40 dias e noites de muitas disciplinas os méritos espirituais acumulados (Punya) por Rati ressoaram no coração do Senhor Shiva e ele decidiu trazer KamaDeva de volta. Porém agora KamaDeva não tinha mais um corpo físico e portanto passou à ser conhecido como “Ananga” (Aquele que não possui um corpo).

 

Felizes com o retorno de KamaDeva (a paixão) acompanhado de seu irmão Vasanta (a estação da Primavera) todos os seres festejaram usando pós coloridos e perfumados. As ruas, Templos e jardins se encheram de cores e um novo ciclo se iniciou. Shiva e Shakti realizaram suas núpcias e daí nasceu Kartikeya que destruiu Tarakasura mas essa já é uma outra narrativa .......