quarta-feira, 30 de julho de 2014

Datas Auspiciosas de Agosto de 2014





Existem dias que são especiais para adoração pois neles acontecem momentos astrológicos específicos que aumentam os méritos (Punya) adquiridos pelas ações executadas. Para os devotos há cinco dias importantes para a devoção.
Saptami, dia 03 – Dia de Surya Deva, o Deus Sol, que garante boa saúde e harmonia.
Ashtami, dia 04 – Dia das formas mais protetoras da Deusa, que garantem desfrute e Liberação.
Ekadashi, dia 06 – Dia do Senhor Vishnu, que aprecia o jejum e as austeridades espirituais.
Chaturdashi, dia 09 – Dia do Senhor Shiva, o benéfico observador de todas as ações.
Chaturthi, dia 29 – Dia de Ganesha, o removedor dos obstáculos que garante o sucesso.

Para os Sadhakas iniciados as escrituras Tantricas dão uma lista de ocasiões auspiciosas para suas disciplinas espirituais.

कृष्णाष्टमीचतुर्द्दश्यावमावास्याथ पूर्णीमा।
संक्रान्तिः पञ्च पर्वाणि तेषु पुण्यदिनेषु च॥ ८॥
kṛṣṇāṣṭamīcaturddaśyāvamāvāsyātha pūrṇīmā |
saṁkrāntiḥ pañca parvāṇi teṣu puṇyadineṣu ca || 8 ||

“ O oitavo, o décimo-quarto e o Amavasya da quinzena escura, a lua cheia, e o dia de transição do Sol entre os signos são as cinco ocasiões auspiciosas para adoração. " 
Kularnava Tantra, capítulo X verso VIII.

Em Agosto de 2014 estes dias auspiciosos serão:
dia 10 - Purnima (Lua cheia);
dia 17 – Sankranti (Sol entra no signo de Leão/Leo);
dia 17 – Ashtami (oitavo dia da quinzena escura);
dia 23 – Chaturdashi (décimo-quarto dia da quinzena escura);
dia 24 – Amavasya (“Lua Negra”, a noite mais escura do mês lunar);

Mêses Védicos: Shravana até o dia 24. No dia 25 começa o mês de Bhadrapada, quando acontece o festival do Senhor Ganesha.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

o Templo de Vaishno Devi

Templo de Vaishno Devi localizado nas montanhas.



Gostaria de brindar um amigo e companheiro de jornada, Khadga Prahara, com uma interessante narrativa que conta a Lila de uma das formas mais populares da Deusa. Como toda narrativa Tantrika esta também possui significados esotéricos, não secretos, mas sim mais facilmente entendidos por aqueles que praticam disciplinas espirituais do Tantra. Cabe aqui lembrar que a correta orientação de um Guru vale mais do que a vã especulação.

 

Conta-se que o Templo dedicado à Vaishno Devi, uma forma local de Vaishnavi Devi, surgiu após fatos ocorridos à mais de 700 anos atrás no vilarejo de Hansali onde vivia um Brahmane de nome ShriDhara, que era um grande devoto da Deusa. Um dia ele estava realizando Kumari Puja, a adoração de meninas como representações da Deusa. Seu objetivo era ter um filho que seria seu herdeiro espiritual. Quando ShriDhara começou à alimentar as meninas, Vaishno Devi, na forma de uma Divina donzela, apareceu entre elas. Ela ordenou que ele oferecesse um grande banquete para todo o vilarejo e vilarejos vizinhos no dia seguinte. ShriDhara foi de aldeia em aldeia convidando as pessoas para a festa e, na estrada, encontrou um grupo de ascetas liderados por Goraksha Natha e os convidou também. Goraksha então desafiou ShriDhara que ele nunca seria capaz de satisfazer à ele, à seu discípulo Bhairava Natha e às seus outros 364 discípulos pois nem mesmo o Deus Indra conseguiu fazê-lo.

 

No dia seguinte quando os convidados começaram à chegar, ShriDhara preocupou-se em não ser capaz de alimentar à todos. Porém miraculosamente todos conseguiram ocupar a pequena cabana do Brahmane e surgiu uma Divina donzela que começou à servir os convidados. Quando ela foi servir Bhairava Natha ele recusou as iguarias vegetarianas e disse que queria ser servido com vinho e carne. A donzela argumentou que aquela era a casa de um Brahmane e que deveria ser aceita qualquer coisa que fosse oferecida num banquete Vaishnava. Bhairava então irou-se e tentou segura-la, mas ela leu sua mente e rapidamente desapareceu.

 

Bhairava saiu à procura dela, parando em determinados pontos – onde hoje estão as estações dos peregrinos ao Templo. O primeiro lugar foi Darshani Darvaja aonde se tem a primeira visão da montanha Trikuta. Mais à frente a Deusa parou sobre uma rocha e, com sua Flecha, fez  jorrar agua para matar a sede de Langura Vira, uma forma de Hanuman, que veio acompanha-La. Esta fonte é hoje conhecida como Bana Ganga. Mais à frente na montanha a Deusa parou para verificar se Bhairava ainda a perseguia. Como suas pegadas ainda estão marcadas o local é hoje conhecido como Charana Paduka. Depois de algum tempo Ela chegou à uma pequena caverna e lá entrou. Ela permaneceu ali por nove meses realizando Tapasya, disciplinas espirituais. Bhairava também chegou em frente à caverna e perguntou à um Sadhu próximo se ele havia visto a donzela. O Sadhu disse: “Aquela que o senhor considera uma mulher comum é, na verdade, a MahaShakti, a Grande Shakti, a AdiKumari, a Donzela Primordial”. Mesmo após ouvir as palavras Bhairava entrou na caverna. A Deusa então usou a magia de seu Tridente e surgiu do outro lado da montanha. Esta caverna é hoje conhecida como Garbha Yoni e o local aos arredores é conhecido como AdiKumari.
 


A Murti Triplice da Deusa.
Bhairava continuou à persegui-la mesmo com as constantes advertências de não fazê-lo. MahaMaya, a Deusa na forma de Suprema Ilusão, era capaz de fazer qualquer coisa que desejasse, mas a determinação de Bhairava também era profunda e verdadeira ! Finalmente a Deusa entrou em outra bela caverna na montanha de Trikuta e deixou Langura Vira na entrada como seu guardião. Bhairava o atacou e quase o matou e, neste momento, Shakti assumiu a forma de Chandi, uma forma irada da Deusa, e decapitou Bhairava. Sua cabeça despencou pelo vale abaixo enquanto seu corpo ficou na entrada. Quando sua cabeça foi decapitada Bhairava gritou: “Oh Adya Shakti, Energia Primordial, Oh Mãe Generosa, eu não lamento em encontrar a morte pois ela está nas mãos da Mãe que criou o Universo. Oh Mateshvari, Senhora da Maternidade, perdoe-me, eu não conhecia esta Sua forma. Oh Mãe, se Tu não me perdoar, no próximo Yuga, a próxima Era, as pessoas vão me ver como um degradado e desprezar o meu nome. Uma Mãe nunca pode ser uma Mãe má”. Ao ouvir estas palavras a Mãe Graciosa lhe deu uma benção que, após a adoração à Ela, os Sadhakas, os buscadores espirituais, também o adorariam. E que ele, Bhairava atingiria Moksha, a Libertação Final. Para os Sadhakas que adorarem Bhairava ficou a benção que teriam seus desejos satisfeitos. Um Templo foi construído no local onde a cabeça decapitada caiu e, ainda hoje, os peregrinos que voltam do Templo de Vaishno Devi para lá para suas adorações.
 

Jaya Maa ! Vitórias à Mãe do Universo !



terça-feira, 24 de setembro de 2013

Karna junto ao Senhor Yama, o Deus Morte

Karna é derrotado quando tentava consertar a roda de sua carruagem.



Uma estória interessante nos fala da importância da quinzena dedicada aos ancestrais, o Pitr Paksha. Se diz que Karna, considerado o maior de todos os guerreiros, e que foi apreciado até mesmo pelo Senhor Krishna, só pode ser derrotado por Arjuna após a intervenção de vários Deuses, inclusive do Senhor Indra. Sua derrota só foi possível pela autorização de sua própria Mãe, a rainha Kunti, que o gerou pela Divina intervenção de Surya, O Deus Sol.
 
Pindas - oferendas dedicadas aos ancestrais.

Karna era admirado por sua grande coragem e generosidade. Mesmo tendo se envolvido em algumas atividades contrárias ao Dharma, seus méritos espirituais (Punya) eram muito grandes. Quando de seu desencarne, Karna recebeu nos paraísos celestiais 100 vezes mais oferendas do que aquelas que tinha oferecido em vida. Porém, quando em vida, sua mentalidade era a de um guerreiro e suas oferendas eram em ouro e prata, e somente isto é o que ele poderia desfrutar nos paraísos celestiais. Não havia comida ! Nenhuma comida foi dada em caridade durante suas grandes austeridades.
 
Karna roga ao Senhor Yama pela oportunidade de aperfeiçoar suas austeridades.
Ele então rogou ao Senhor Yama, o Deus Morte, e devido aos seus méritos espirituais, pode ser atendido. Ele pode retornar á Terra por uma quinzena lunar para que todas as deficiências em seus serviços rituais pudessem ser suprimidas naquele período. Então, por uma quinzena ele se dedicou exclusivamente à oferecer alimentos aos sacerdotes, os Brahmanes, e aos pobres e à oferecer oblações de água (Tarpana) à todos os seres. Impressionado pela austeridade de Karna, o Senhor Yama declarou que todas aquelas oferendas seriam partilhadas pelas almas que tivessem sido engolidas pela Morte. E assim foi feito ! Ao fim de seu período de expiação o guerreiro Karna retornou aos paraísos celestiais e os encontros repletos dos mais perfeitos banquetes.

Preparando oferendas aos ancestrais.
 
Há um ditado nos Tantras que diz que falar sobre comida não satisfaz ao faminto, da mesma forma falar de disciplinas espirituais sem praticá-las é de pouco beneficio. O Tantra é um caminho espiritual onde as três grandes Shaktis do conhecimento (Jñana Shakti), da vontade (Iccha Shakti) e da ação (Kriya Shakti) caminham juntas. Por isto se diz que Shiva, a consciência Universal que contempla todos os fenômenos, é apenas um cadáver se não estiver acompanhado de Shakti, a Força Dinâmica que move, cria e dissolve Universos.


Aos pés de Mãe Kali.