quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Antes de tomar abrigo espiritual no Templo de Kali





Namaste amigos,



Seguem abaixo sete perguntas e respostas que esclarecem um pouco do trabalho do Templo de Kali e visam ajudar e orientar aqueles que buscam tomar abrigo espiritual nesta família. Ao final deste texto há links para as referencias escriturais, em Sânscrito e Português, ligadas à iniciação Tântrica



Quaisquer duvidas é só perguntar em ruderananda@kaulatantra.org . Sejam bem-vindos.





1. Tenho devoção à Mãe Kali mas não há um Templo em minha região. O que fazer ?



Esta duvida é bastante comum e reflete um pensamento baseado em conceitos Ocidentais de relacionamento com a Divindade. Vamos entender um pouco melhor o que é o Dharma Tântrico para, então, refletir sobre a eventual necessidade de Templos.



Primeiro, um Tântrico não é aquele que tem uma “fé”, na verdade o Guru não pede que o adepto “acredite” em nada. O trabalho do Guru é transmitir a Força Espiritual da tradição (ShaktiPata) e orientar as disciplinas que purificam a mente e farão o adepto vivenciar as realidades de um plano sutil. Esta vivência pessoal, baseada em resultados, é que forma a base das crenças de cada adepto.



चित्ते शुद्धे महेशानि ब्रह्मज्ञानं प्रजयते 

citte śuddhe maheśāni brahmajñānaṁ prajayate   |



“Ó Grande Senhora, na consciência (Citta) pura o conhecimento de Brahman se entroniza”.

MahaNirvana Tantra VII, verso 94



Podemos, portanto, perceber que para ser um Tantrico não é necessário ter um Templo próximo pois a maioria das disciplinas espirituais (das Sadhanas) que visam purificar a mente podem ser realizadas em casa. O que é absolutamente necessário é consagrar um Guru vivo em seu coração para, então, receber os Mantras que constituirão a sua Sadhana.





2. No que consiste exatamente esta Sadhana Tantrica ?



A Sadhana envolve vários elementos que também visam harmonizar a vida do Sadhaka (Dharma), garantir-lhe boa sorte (Artha) e a satisfação de seus anseios legitimos (Kama). Na medida em que o adepto torna-se capaz de estabelecer uma rotina que permita lidar com intensas e poderosas Forças Espirituais mais elementos são adicionados para que ele se estabeleça no caminho espiritual de NiVrtti.



Há dois “momentos” cruciais na jornada de cada alma:

a. o momento de PraVrtti quando a alma busca alcançar o dominio do plano material e envolve-se cada vez mais no Samsara, ou seja, no ciclo de reencarnações sucessivas. Este é um “caminho de descida”.

b. o momento de NiVrtti quando a alma começa a se desapegar das coisas materiais e passa à buscar Moksha – a Liberação Final, ou seja, o retorno à um estado de absoluta união com a Divindade. Este é um “caminho de ascensão”.



Pela misericórdia do Senhor Shiva os Tantras apresentam estágios sucessivos para atender as almas em distintos momentos de sua jornada. Estes estágios sucessivos são: Vedikachara > Vaishnavachara > Shaivachara > Dakshinachara > Vamachara > Siddhantachara > Kaulachara. Vide Kularnava Tantra II, versos 7 e 8.





3. As Sadhanas Tantricas no caminho de NiVrtti estão associadas à ascensão de Kundalini ?



Sim. A manifestação no mundo está ligada à um processo de “descida” e densificação das energias divinas. O elemento Akasha dá origem ao elemento Vayu (Ar) que, por sua vez, dá origem ao elemento Agni (Fogo) e aos elementos Apas (Agua) e Prthivi (Terra) sucessivamente. Já na ascensão de Kundalini estes elementos são reabsorvidos naquele que os precedeu. Prthivi (Terra) é dissolvida em Apas (Agua) e assim sucessivamente. Por ser um processo de dissolução e destruição a ascensão de Kundalini é chamada de Laya Yoga (o Yoga da Dissolução).





4. Há perigos neste processo de ascensão de Kundalini ?



Quando bem orientado e bem disciplinado o adepto Tantrico não corre risco algum. Uma pessoa “surta” durante o processo de ascensão e estabelecimento de Kundalini nos Chakras mais elevados quando não foi devidamente orientada e está iludida por falsas perspectivas e fantasias fora da realidade.



Os Tantras propõem um Dharma absolutamente lógico e bem estabelecido, não há justificativa ali para fantasiar ou tentar subverter a realidade do mundo aos nossos caprichos. Podemos, por exemplo, sem exageros, tentar comentar o processo de ascensão de Kundalini numa analogia às três primeiras leis de Newton.



Primeira lei – Inércia: “Quando as forças atuantes em um corpo se anulam, ele permanecerá em repouso...”, ou seja, enquanto os “sopros vitais” Prana e Apana estiverem em equilíbrio Kundalini manterá seu repouso no Muladhara Chakra. A ascensão inicia-se quando um desequilíbrio temporário é criado.



Segunda lei – Força Resultante: “A força resultante que atua sobre um corpo é proporcional ....”, ou seja, a intensidade e velocidade da ascensão de Kundalini serão proporcionais à ShaktiPat e Sadhanas aplicadas para iniciar seu movimento. Há um jogo de forças sutis que deve ser levado em consideração durante todo este processo.



Terceira lei – Ação e Reação: “Para toda ação (força) sobre um objeto existirá uma reação (força) de mesmo valor e direção, mas com sentido oposto”, ou seja, no processo de ascensão há obstáculos que criam uma “espécie de atrito”. Como sabemos o atrito gera calor. A palavra “Tapasya” em Sânscrito está relacionada à todas as disciplinas espirituais porém lembremos que seu significado original é “aquilo que é resultado do calor gerado”. “Tapas” é calor ... Entendemos que a ascensão de Kundalini é uma das mais elevadas expressões de Tapasya.





5. Entendemos que a Sadhana envolve o trabalho com energias (Shaktis) que são reais e atuantes. Há também um trabalho sobre o aspecto psicológico e humano do adepto ?



Sim. Desde os princípios estabelecidos no Samkhya e no Yoga Darshanas e reafirmados na Bhagavad Gita sabemos que as atividades da mente (Manas) são influenciadas por vários aspectos físicos como alimentação, rotina, ações e etc. Os Tantras trabalham sobre a mente humana não apenas através de reflexões filosóficas ou dialéticas mas através de todo o seu ser – sua “fala”, suas atitudes e, principalmente, suas ações.



No campo da “fala” o adepto é ensinado à perceber os três principais níveis de comunicação (“Fala”) – Pashyanti, Madhyama e Vaikhari, ou seja, através de uma “ressonância inarticulada”, através de uma “ressonância articulada” e através de uma vibração audível, respectivamente. Além destes há a comunicação em Para que é realizada em um plano puramente Divino.



No campo das atitudes o adepto deve superar os obstáculos do Muladhara Chakra para preparar-se para o processo de ascensão de Kundalini. Este Chakra é guardado pelo Senhor Ganesha cujo nome significa “O Senhor daquilo que pode ser contado”, ou seja, o “Senhor das categorias ou classes”. O termo “Gana” vêm da raiz Gan/गण् (verbo GaN/GaNavati) que significa contar, atribuir valor. Superar este primeiro obstáculo traz como desafio deixar de ver à Si-mesmo como uma categoria ou membro de uma classe para entender-se como um individuo – único. 
Vide Kularnava Tantra XII, versos 90 e 91.



No campo das ações o adepto desenvolve a percepção da importância das ações rotineiras (Nitya Sadhana) e das ações sazonais (Naimittika Sadhanas). A ascenção de Kundalini, assim como todo processo dinâmico, necessita de uma base estática para garantir estabilidade à força gerada. Há dois "momentos" necessários ao progresso. Estes dois momentos, estas duas importantes vias de ação, foram descritas em outros sistemas como “Solve et Coagula”, “Amor e Vontade” etc ...





6. O Guru é essencial nos Tantras como identificar um Guru fidedigno ?



O Kularnavana Tantra em seu capitulo XIV, versos 25 e 26 afirma:



“O interessado deveria tornar-se um Shishya (discípulo/aluno) apenas após perceber o conhecimento e expertise do Guru em Japa (recitação de Mantras), Stotra (recitação de hinos rituais), Dhyanam (técnicas de meditação), Homa (realização de cerimônias de fogo), Puja (realização de rituais) e outros. Depois de reconhecer  a capacidade de transmissão de conhecimento, a perfeição na ciência dos Mantras e a habilidade de gerar impacto espiritual (Vedha) o interessado pode tornar-se um discípulo/aluno”.





7. Quais são os diferentes tipos de Guru ?



प्रेरकः सूचकश्चैव वचकी दर्शकस्तथा 

शिक्षको बोधकश्चैव षडेते गुरुवः स्मृताः 

prerakaḥ sūcakaścaiva vacakī darśakastathā   |

śikṣako bodhakaścaiva ṣaḍete guruvaḥ smṛtāḥ   ||



“Os Gurus são de seis tipos: Preraka, Suchaka, Vachaka, Darshaka, Shikshaka e Bodhaka”. Kularnava Tantra XIII, verso 128



Preraka é o Guru que incita o aluno à ação adequada.

Suchaka é o Guru que aponta qual é a ação adequada.

Vachaka é o Guru que menciona qual é a ação adequada.

Darshaka é o Guru que demonstra qual é a ação adequada.

Shikshaka é o Guru que orienta e explica a realização da ação adequada.

Bodhaka é o Guru que compreende à fundo a ação adequada.



Ou seja, o Guru pode orientar seus alunos de seis maneiras diferentes. Há aqueles que preferem uma metodologia e aqueles que preferem outras. O mais importante é entender que o Guru não é o homem através do qual Shiva se manifesta como orientador da mesma forma que a Divindade não é a estátua através da qual Ela é representada. Nem tampouco os Mantras são apenas um conjunto de sílabas ...... Manter este tipo de pensamento impede o progresso na via Tantrica.



Jaya Maa.



Por favor visite também os textos com referencias escriturais sobre as iniciações Tântricas:


Texto 2: http://www.kaulatantra.com.br/2013/03/iniciacao-tantrica-parte-2.html

Há uma página publica de nossa familia espiritual no FaceBook:
https://www.facebook.com/Templo-de-Kali-127879430608315/

E há também uma "antessala" para  que aqueles que desejam receber o Mantra de Kali possam se familiarizar com nossa tradição:
https://www.facebook.com/groups/627303574392537/about/








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