segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Pitr Paksha - Quinzena de Adoração aos Ancestrais




               

               Todos os anos antes de cada um dos dois festival da Mãe Divina, os dois NavaRātri-s, que são realizados próximos aos equinócios de Outono e de Primavera, nós temos um período para expressar nossa gratidão aos nossos ancestrais. Esse período de uma quinzena é chamado de Pitṣ Pakṣha. Neste ano de 2026 o Pitṛ Pakṣha do Śharada Navarātri* acontece no período de 27 de Setembro até o dia 10 de Outubro (Āmāvāsya). Durante estes dias relembramos com carinho nossos ancestrais, meditamos sobre suas vidas e seus anseios e sobre como eles nos ajudaram à conquistar todos os nossos objetivos e a estar aqui, em adoração, nos dias de hoje. Vamos rever fotos antigas, lembrar bons momentos e estórias que nos foram contadas e, quem sabe, preparar alguns pratos que eram apreciados por nossos avós e bisavós. Reviver nossa história pessoal é prestar gratidão à todos aqueles que nos antecederam.


               Basta uma pequena reflexão para apreciarmos que tudo o que somos e o que conquistamos foi devido ao alicerce oferecido por nossos ancestrais. Mesmo uma breve análise do processo de reencarnação nos releva que nossos corpos, que habitamos nesta vida, não “surgiram do nada”. Poderíamos dizer que estes corpos foram “emprestados” por nossos ancestrais e serão (re)transmitidos aos nossos descendentes. Este corpo que é (re)transmitido à cada geração e que permite a auto-realização de cada membro das famílias é chamado de Liṅga Śharīra. È através deste Liṅga Śharīra que recebemos duas importantes heranças Divinas: Bhāga e Aṁśha, que, entre outros significados, também são personificadas como dois dos doze Ādityas - filhos da Grande Deusa Aditī. Bhāga é a herança física que pode ser interna ou externa. Internamente ele (Bhāga) é a nossa força física, nossa imunidade e outros “dons” manifestados no corpo físico e que foram recebidos de nossos pais e avós. Externamente ele é o patrimônio e outros bens materiais herdados. Já Aṁśha é a fração da partilha Divina que nos coube, nossa “sorte”, as bênçãos que recebemos e o fruto dos méritos espirituais (Puṇya) que nos permitem uma vida mais harmoniosa. 


               Uma prática tradicional nestes dias de Pitṛ Pakṣha é oferecer “Tarpanam” aos nossos ancestrais. Esta pequena cerimônia pode ser feita por todos. Para o devoto os preparativos são bem simples: basta dispor de um pequeno vasilhame, tipo um copinho de metal e uma pequena colher. Preencheremos este copinho com água da fonte mais pura possível, podemos usar água mineral, recitamos então uma volta (108 vezes) de JapaMālā do Mantra de nosso Iṣṭha Deva, aquele que é o nosso ideal de Perfeição (Durgā, Gaṇeśha, Kālī, Śhiva, Kṛṣhṇa, etc  ...) e à seguir o seguinte Mantra:


ॐ पिता स्वर्गः पिता धर्मः पिता हि परमं तपः  ।

पितरि प्रीतिमापन्ने प्रीयन्ते सर्वदेवताः  ॥

om pitā svargaḥ pitā dharmaḥ pitā hi paramaṁ tapaḥ   |

pitari prītimāpanne prīyante sarvadevatāḥ   ||


“Om, meus ancestrais são o meu paraíso. Meus ancestrais são o meu Dharma. Meus ancestrais são a minha mais elevada austeridade. Meus ancestrais estão satisfeitos, todos os Deuses estão satisfeitos.“


               Então, com a colher, uma pequena quantidade da água consagrada (Tarpanam) é oferecida sobre o solo ou sobre um pequeno pires de barro. O restante do que foi preparado pode ser lançado num jardim ou canteiro, ou ainda aos pés de uma árvore bem frondosa. O Sādhaka, aquele que foi iniciado no Dharma e mantém disciplinas espirituais regulares, pode oferecer Tarpanam logo após sua Sādhana diária ou junto com as práticas do
Sandhya Vandanam,  usando os artigos rituais condizentes com a situação – Kośha e Kośhi ou outros vasilhames de metal que sejam apropriados. Lembremos que esta prática é muitíssimo importante para aqueles que se dedicam a Kapāla Sādhana e outras disciplinas espirituais semelhantes pois estes Sādhakas são aqueles que “mantém a ancestralidade viva”, ou seja, cultivam os elevados valores espirituais que construíram a civilização. 


               Na noite de 10 de Outubro de 2026 será celebrado o MahāLāya que simboliza a Grande Dissolução que estava presente em Eras anteriores à criação de cada novo Universo. Ou seja, temos ali um marco de um novo ciclo que manifesta-se através do Navarātri.



               È só depois deste período de reflexão e de prática de gratidão que a Deusa é adorada em sua magnífica manifestação como MÃE. Seguindo o calendário litúrgico teremos então o Navarātri, as nove noites da Deusa, começando no dia 11 de Outubro de 2026. 


·         Navarātri de Outono na Índia porém é celebrado na primavera do Brasil. O nosso Navaṛātri de outono, que é o principal, é chamado de Chaitra Navarātri.

 

 

Jaya Mā, Louvada seja a Mãe do Universo.

 

 

 

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