Quem nunca foi Tantrico não pode deixar de sê-lo
A busca de amparo espiritual é essencial à alma porém há também outros aspectos relevantes pois eles formam a base para que essa busca seja Siddha (bem-sucedida). O Tantra claramente endossa que os objetivos da encarnação humana são: Dharma (vida equilibrada), Artha (alcance dos meios de realização), Kāma (realização dos anseios emocionais) e Mokṣha (Libertação Final).
Entretanto é lamentavelmente frequente que pessoas que buscam um(a) Guru ou Templo Tântrico tenham suas vidas mantidas muito aquém de seus potenciais. Ou pior ainda – vejam sua saúde, vida financeira ou estado emocional declinarem após juntar-se a instituição. Isso ocorre porque, na maioria das vezes, o Guru ou a instituição que alega ser supostamente “Tântrico” conhece apenas um amontoado de diferentes perspectivas misturadas e não tem nenhuma prática em fazer os ritos prescritos dentro das próprias escrituras para o bem estar dos Sādhakas.
O incauto interessado(a) pensa ter recebido uma verdadeira “iniciação” e começa a realizar as disciplinas espirituais prescritas (quando são prescritas, pois há “Gurus” que não tem nada a ensinar e seus encontros são apenas de conversas em vão e citações de livros de autoajuda) porém sua vida não progride.
Aqui há duas possibilidades diante do Sādhaka(ikā) frustado(a) em suas expectativas: deixar a instituição ou ir direto ao seu Guru em busca de soluções.
No primeiro caso temos uma legitima “Volta dos que não foram” pois o(a) interessado(a) nunca chegou a conhecer a verdadeira tradição Tântrica e imagina que o fracasso se deve a ela e não a instituição espiritualmente fraca ou diletante.
No segundo caso o(a) Guru nem sempre está apto(a) a mostrar-se accessível e fazer o necessário pois ele(a) próprio não sabe o que saber. O Guru que alega que seriam necessárias cerimonias de fogo mensais por um ano e cobra uma fortuna por isso é um farsante. Ele não tem a Śhakti (Força Espiritual) para atuar de maneira rápida e ágil.
Os Tantras enfatizam que a relação do Sādhaka com seu Guru deve ser direta e sincera e que é a partir daí que todos os ensinamentos e práticas frutificam. O Sādhaka(ikā) que não confia em seu Guru e vai buscar num(a) astrólogo(a) ou terceiros para especular e/ou comentar o que lhe dado diante dos Devas não obtém os frutos de suas disciplinas espirituais e, se houvesse uma reflexão prévia, nem sequer deveria ter se apresentado para iniciação.
A observação e a confiança mútua devem vir antes da iniciação justamente para evitar exemplos de deselegância ou despreparo ou, pior ainda, imaginar que as falhas e deficiências demonstradas seriam da tradição e não dos Gurus e instituições sem domínio das práticas que eles alegam ser capazes de orientar. Ambos: Sādhakas e Guru devem ter lucidez e sinceridade no caminho espiritual dos Tantras.
